Ajuda ao Apocalipse

WATCHMAN NEE

“Deus não manteve em segredo o

desejo do Seu coração.

Os vencedores a cada dia

serão mais e mais restaurados

na vontade do Senhor”

Como Podemos Entender o Livro De Apocalipse

Para entender o livro de Apocalipse a primeira coisa que se deve fazer é lê-lo. Sem fazer isso, ninguém pode entender esse livro. Não é estranho que quando perguntamos aos cristãos “porque você não lê o Apocalipse?” eles respondem que é porque não o entendem? Por acaso eles querem dizer que é necessário entender primeiro essas páginas para depois lê-las? Que Deus nos conceda paciência para estudarmos a Sua palavra, a fim de que não desistamos de ler logo que encontrarmos alguma dificuldade, pois dessa forma perderíamos muitas bênçãos. Qualquer que ler esse livro do Apocalipse não deve confiar simplesmente no seu próprio poder mental; ele deve, em oração, humildemente e abertamente pedir a iluminação do Espírito Santo. Quando a Sua luz brilha sobre a palavra de Deus, coisas que outrora não foram entendidas durante anos serão imediatamente compreendidas.

Além disso, o leitor desse livro deve manter o seu coração puro – ou seja, ele não deve ler por curiosidade a respeito de eventos futuros. Pelo contrário, ele deve ler atentamente as páginas desse livro, com o desejo de conhecer mais da palavra de Deus, para poder guardar a Sua vontade e receber tudo o que Ele quiser dar através da sua palavra. Deus não abençoará uma leitura que sirva apenas para alimentar uma mente curiosa, pois isso não tem proveito para nossa vida espiritual.

A meu ver, a primeira coisa a fazer para compreender o livro de Apocalipse é obter um conhecimento meticuloso sobre ele. Para começar, leia-o capítulo por capítulo. Leia até que você possa lembrar do conteúdo de cada capítulo sem olhar. Então leia cuidadosamente, versículo por versículo. Memorize os versículos que você considera importante. Use todos os tipos de métodos para se tornar um meticuloso conhecedor desse livro. Assim que você se tornar familiarizado com os seus conteúdos, o Espírito Santo então poderá ensiná-lo.

Agora, estando totalmente inteirado a respeito do livro, você logo descobrirá as suas divisões naturais. Você será capaz de perceber o método do livro e de decidir qual parte é história principal e qual parte é parênteses. Você  pode então pôr a história principal em ordem e determinar o relacionamento entre história e parênteses. Com um programa de estudo detalhado como esse, você verá qual parte está claramente explicada e qual parte está apenas implícita. Não há problema nenhum com as partes explícitas, mas as partes implícitas devem ser comparadas com outras porções das Escrituras. Desde que o livro de Apocalipse é a soma total de toda a Bíblia (nele são concluídos todos os problemas que não foram concluídos em partes anteriores da Bíblia), nós devemos pesquisar os outros livros da Bíblia para esquadrinhar todas as conecções pertinentes. Se interpretarmos as escrituras com o auxílio das próprias escrituras, nós chegaremos a uma acurada explicação e conhecimento. No entanto, como nós já temos observado, a leitura da Bíblia não é apenas para conhecer, mas é para cultivar a vida espiritual. E por isso, mesmo com as partes que podemos entender, nós devemos pedir ao Espírito Santo que nos mostre seus significados espirituais e que nos dê ajuda espiritual.

A Época em que o Livro de Apocalipse foi Escrito

O período em que o Apocalipse foi escrito constitui um sério problema, em parte porque alguns professores Racionalistas têm defendido uma data precoce para essa composição – eles afirmam que provavelmente foi escrito nos tempos do reino do imperador romano Nero. Eles formularam essa peculiar estrutura de tempo com o objetivo de estabelecer a teoria de que as sérias proclamações registradas no livro de Apocalipse foram todas cumpridas após o infame e devastador  incêndio que ocorreu nos tempos de Nero. De acordo com essa teoria, as profecias contidas neste livro na verdade apontam apenas para as perseguições dos Cristãos da Antiguidade e para a destruição de Jerusalém, junto com outros eventos que ocorreram naquele período da história romana. A profecia a respeito da Besta ou do Anticristo tem simplesmente referência à tirania e às maldades perpetradas por César Nero. E, por isso, os conteúdos de todo o livro têm sido completamente cumpridos nos eventos do tempo de Nero. Para os defensores dessa teoria, o livro de Apocalipse é agora apenas um livro de profecias já cumpridas e que, portanto, não têm nenhum valor espiritual para nós Cristãos. É meramente uma parte especial da história romana. Mas, se isso é verdade, então o livro da Apocalipse não se tornará um tanto sem sentido para os Cristãos de hoje? Em vista disso, nós devemos investigar e determinar o exato tempo em que esse livro foi escrito a fim de provar o erro dessa teoria Racionalista.

Eu pessoalmente creio que livro de Apocalipse foi escrito por volta de 95 a 96 DC durante a última metade do reino do Imperador Domiciano, o último dos doze Césares Romanos.

Todos os comentaristas fundamentalistas modernos concordam com essa estrutura de tempo. Deixe-nos citar algumas evidências que dão suporte a esta visão.

A respeito da visão de que o livro de Apocalipse foi escrito pelo apóstolo João durante o governo de Domiciano, há duas fortes evidências – ambas de natureza externa e interna. Primeiro a evidência externa.

Inicialmente, de maneira geral podemos dizer que todos os escritores dos três primeiros séculos, cujos escritos foram encontrados, são explícitos, e concordam em situar o exílio do João e a sua escrita do Apocalipse (Revelação) na última parte do reinado de Domiciano, o último dos doze Césares; e isso, portanto, nos diz que esse livro foi escrito em 95 ou 96 DC.

A primeira e maior das testemunhas é Ireneu. Ele era aluno de Policarpo, que por sua vez foi um dos discípulos de João. Portanto, Ireneu é muito mais provável de ter recebido um verdadeiro relato dos últimos dias do apóstolo João do que qualquer outro escritor cujas obras tenham chegado a nós. Sendo que, quando Ireneu fala da forte probabilidade do nome do Anticristo ser Teutão (Teitan), ele dá este definido testemunho acerca de João e da sua escrita do Apocalipse:

Nós não vamos, entretanto, correr o risco de cometer um erro nesse assunto, de confiantemente afirmar que ele terá esse nome; pois nós sabemos que, se estivesse estabelecido que o seu nome deveria ser proclamado no tempo presente, isso teria sido anunciado por aquele que viu a Revelação. Pois foi vista há não muito tempo, mas quase em nossa geração, no final do reino de domiciano.

 

Tertuliano, um contemporâneo de Ireneu, observou: “Quão feliz é aquela Igreja cujos apóstolos derramaram todos as suas doutrinas com seu sangue! Na qual Pedro resiste a sofrimentos semelhantes aos do Senhor; na qual Paulo tem por coroa a mesma morte que João; e o apóstolo João, após ter sido mergulhado em olho fervendo sem sofrer nenhum mal, foi banido para uma ilha.” Aqui Tertuliano nos informa de dois fatos: primeiro, que João foi banido; e segundo, que o lugar do seu exílio foi para uma ilha. Em outra passagem após mencionar a perseguição por Nero, ele continua: “Domiciano também, o qual era como um Nero em crueldade, ensaiou as mesmas coisas; mas ele, como também era um ser humano, prontamente cessou o seu empreendimento, e restaurou aqueles que haviam sido banidos.”

Tertuliano, dessa maneira, sugere que o exílio era a pena usualmente infligida aos Cristãos por Domiciano; ao passo que, pelos registros, Nero era acostumado a matá-los.

Clemente de Alexandria não menciona Domiciano pelo nome; mas ele provavelmente o insinua quando fala do “tirano” após cuja morte João voltou do exílio.

Eusébio, em três passagens, declara que a expulsão de João ocorreu no reinado de Domiciano. Ele também diz que João escreveu o Apocalipse no décimo quarto ano de reinado de Domiciano, que seria 95 DC.

Vitorinus de Petau, o autor do mais antigo comentário que existe sobre Apocalipse, explica as palavras: “importa que profetizes outra vez a povos, e nações, e línguas e reis.” (Rev. 10.11 mg.), da seguinte maneira:

 

Ele fala dessa maneira porque, quando João viu esta visão, ele estava na ilha de Patmos, havendo sido condenado pelo César Domiciano a trabalhar na mina. Lá, então, ele viu o Apocalipse; e, agora que, avançado em anos, ele começava a pensar   que seria recebido no descanso através de seus sofrimentos. Domiciano morrera, e todas suas sentenças foram canceladas. E assim, João, após ter sido liberto da mina,                entregou essa mesma revelação que recebeu do Senhor.

 

Novamente, ao discutir o oitavo rei mencionado no capítulo dezessete do livro de Apocalipse, Vitorinus nos diz em seu comentário que p sexto era Domiciano, em cujo reinado foi escrito o Apocalipse.

No quarto século, Jerome testifica que quando João escreveu o Apocalipse ele estava na ilha de Patmos durante o décimo quarto ano de César Domiciano (95 DC) – sendo ele o segundo dos césares que perseguiram os Cristãos, sendo Nero o primeiro.

Durante os primeiros três séculos e meio, no entanto, nenhum escritor parece sugerir outra data.

Mas, na última metade do século quatro, essa harmonia foi quebrada por Epifânius de Salamis; cujo testemunho, no entanto, é absolutamente inválido contra os que foram citados, sem contar que é totalmente inverossímil em si mesmo. Ora, Epifânius foi um dos mais descuidados e inacurados escritores da antiguidade. Sua notável declaração é esta: que João retornou do exílio – aos noventa anos de idade – durante o reinado de Cláudio. Agora, Cláudio foi assassinado em 54 DC; no entanto, se João estivesse com noventa anos naquele tempo, ele deveria ter trinta e três anos a mais que o Senhor, e ele também deveria estar com sessenta e três anos quando foi chamado para ser um dos apóstolos do Senhor! É claro, então que a data de Cláudio pode ser sumariamente dispensada.

Então, o balanço das evidências externas está sobremaneira a favor da Data Domiciana. Há muitas outras testemunhas que nós não mencionamos, que poderiam dar suporte ainda maior a essa visão.

Assim como as evidências externas são abundantes, também as internas são igualmente fortes na mesma direção. Quando falamos em evidência interna, nos referimos às evidências no texto, que provam que o Apocalipse foi escrito no tempo de Domiciano. Eis as evidências:

(1) O estado em que se encontravam as igrejas da Ásia, como descrito nas sete cartas de Apocalipse capítulos 2 e 3, requereria um desenvolvimento de vinte ou trinta anos além da condição que estava nos tempos de Paulo, e não dos meros cinco ou seis que seriam permitidos pela data Nerônica.

(2) Pelo menos um mártir já havia sido feito em Pérgamo; e João, escrevendo às sete igrejas da Ásia, fala dele mesmo como tendo se tornado seu companheiro na tribulação pelo seu exílio em Patmos pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo. Entretanto, os crentes em Esmirna estavam para experimentar uma provação da sua fé, até mesmo de morte. É evidente que uma perseguição estava acontecendo na Ásia Menor naquele tempo. E essa deve ter sido a perseguição de Domiciano, desde que a de Nero não parece ter se estendido muito além das vizinhanças imediatas de Roma; e nem parece ter a perseguição nerônica resultado em exílio, mas simplesmente em punição capital.

(3) Os Balaãmitas (ver Apoc. 2.14) haviam encontrado tempo de se estabelecer em pérgamo.

(4) A Jezabel não havia apenas subido a um lugar de influência em Tiatira, mas também já havia sido dado a ela tempo de se arrepender (de acordo com Apoc. 2.20, 21).

A Data Domiciana de 95 a 96 DC para a escrita do Apocalipse é, portanto, suportada tanto por evidências internas quanto por externas.

Devido ao fato que o livro de Apocalipse descreve a si mesmo como sendo definitivamente um livro de profecias (ver 1.3; 22.7, 18, 19), certos mestres Racionalistas têm atentado em determinar a data da escrita aos tempos de Nero, podendo dessa maneira aplicar mais estreitamente todas as profecias do livro ao Império Romano de Nero e aos Cristãos daquele tempo. Mas nós hoje claramente sabemos que essa profecia tem de ter sido escrita muito depois dos tempos de Nero. E para o nosso presente dia essa porção de conclusão da palavra de Deus ainda permanece como um escrito profético a respeito de eventos futuros. Não é nem história alegórica nem profecia já cumprida.

Tendo demonstrado que esse livro foi escrito nos tempos de Domiciano, o esquema desses professores Racionalistas para excluir esse apavorante livro – o qual serve como uma das mais agudas das espadas do Espírito de Deus – foi derrotado.

As Interpretações do Apocalipse

A interpretação do livro de Apocalipse é um ponto de contenda entre os comentaristas. De maneira geral, há três diferentes escolas de interpretação; que são (1) os Preteristas, (2) os Interpretadores Históricos, e (3) os Futuristas. Os Preteristas sustentam que toda, ou pelo menos grande parte da profecia já se cumpriu com luta entre a Igreja e Roma, tendo a vitória da Igreja como resultado final. Tal interpretação é muito abstrata e é objetada por comentaristas ortodoxos.

Os Interpretadores Históricos defendem que a profecia abrange toda a história da Igreja, mostrando como as malignas forças do mundo lutam contra a Igreja. Essa interpretação foi muito popular durante os tempos da Reforma e ainda era fortemente defendida no século dezenove. Especialmente com o surgimento de Napoleão, essa visão foi reconhecida como a interpretação final. Dentre os Protestantes, pessoas que têm essa visão consideram o Papa e a Igreja Romana como sendo o anticristo e a Besta. O próprio Martinho Lutero tomou essa visão. Mas os comentaristas da Igreja Católica tomaram a visão oposta e reconheceram o Protestantismo como o Anticristo. Eles até mesmo declararam ter encontrado o número 666 no nome de Martinho Lutero. Muitos do povo de Deus no final do século dezoito e no começo do século dezenove criam que Napoleão cumpria o personagem mencionado em Apocalipse 13. E muitos dos números no livro foram tomados arbitrariamente como um período fixo de profecia; por exemplo, o numero de três anos e meio foi considerado uma representação da tribulação na sua própria história corrente.

Os Futuristas mantém a idéia de que a maior parte da profecia ainda está para se cumprir no futuro. A partir do capítulo 4, nem mesmo uma letra foi cumprida. Os capítulos 2 e 3 falam da Igreja. Só depois que o período da Igreja for cumprido é que qualquer coisa depois do capítulo 4 pode ser cumprida. Os capítulos 6-19 referem-se a eventos que acontecerão no tempo das últimas sete das setenta semanas de Daniel. E as últimas sete semanas de Daniel não podem começar sem que a história da Igreja esteja completada. Essa interpretação é a mais satisfatória, pois é a que mais coincide com as profecias encontradas em outras passagens da Bíblia. No entanto, nós não temos a intenção de contender por uma opinião! De fato, que possa o Senhor sempre nos afastar disso. O que desejamos é a Sua verdade. Que o seu Espírito nos guie para dentro de todas as verdades e nos habilite a entender a palavra de Deus.

É inevitável que haja muita discussão sobre a interpretação do Apocalipse entre essas três escolas. Mas o nosso alvo, como já deixamos claro, é saber o que Deus quer que saibamos, e não contender em defesa de qualquer escola humana ou opinião. Portanto, nós não vamos apresentar todos os argumentos, nem contra nem a favor. Embora eles pudessem ser bem-vindos por algumas pessoas, não seriam edificantes.

Umas poucas palavras, entretanto, precisam ser ditas para demonstrar que existe falibilidade tanto na interpretação dos Preteristas quanto na dos Históricos. Os Preteristas mantêm a idéia dos Professores Racionalistas. Ninguém, na Igreja dos primeiros séculos, acreditou nisso. Pois isso limitou os horizontes de João a ver somente a perseguição dos Cristãos por Roma. Isso reduz a profecia a um simples valor alegórico, e meramente prediz a derrota dos romanos. Os Interpretadores Históricos, por outro lado, adormecem o mais solene aviso da Bíblia Sagrada direcionado às pessoas do final dessa era, com a finalidade de que não possamos conhecer o que a ira de Deus será. Sejamos, pois, esclarecidos a respeito do que a Bíblia realmente ensina.

Em I Coríntios 10:32 Paulo divide a humanidade em três principais categorias: Judeus, Gentios, e a Igreja de Deus. Durante os tempos do Velho Testamento não havia Igreja, pois ela foi estabelecida pelo Senhor somente no período do Novo Testamento. Uma vez que o livro de Apocalipse é o último livro da Bíblia e que por essa posição ele é a soma de todas as Escrituras, é natural que ele nos mostre como será o fim dessas três categorias de pessoas. Os Preteristas, no entanto, sustentam que o Apocalipse relata apenas a história passada das lutas da Igreja. Os Interpretadores Históricos também, limitam a profecia à experiência da Igreja depois do tempo de João. Ambos abraçam a Igreja e deixam passar os Judeus e os Gentios. Essa visão é muito parcial e faz da revelação de Deus um livro imperfeito. Se concordarmos com as suas interpretações, nós seremos deixados na escuridão quanto ao futuro fim dos Judeus e Gentios. Mas nós devemos esperar ver no último livro da Bíblia (1) o caminho que a Igreja vai trilhar na terra e sua futura glória; (2) a proteção dos remanescentes dos Judeus por Deus ao longo da Grande Tribulação e o seu recebimento das bênçãos de Deus prometidas por meio dos profetas; e (3) o julgamento dos Gentios que pecaram e não creram, assim como a alegria desses Gentios que vierem ao Senhor.

Eu não vou argumentar qual é a interpretação certa e qual é a errada. É claro que deve haver uma verdadeira interpretação que esteja de acordo com todas as profecias do Velho e do Novo Testamento e que nos seja de proveito espiritual. Onde podemos encontrar essa verdadeira interpretação? Qualquer resposta está no livro em si. O que esse livro de Apocalipse nos conta é sobremodo confiável. Nós não precisamos gastar muito tempo pesquisando as interpretações e idéias das diferentes escolas. Nós podemos até mesmo deixar de lado tais termos como “os Preteristas” ou “os Futuristas”. A melhor maneira é buscar as escrituras diretamente. Pois eu creio que, nas páginas do livro de Apocalipse, nosso Senhor Jesus Cristo tem nos dado a chave para a sua própria interpretação.

A Chave Para Interpretar o Apocalipse

Em cada livro da Bíblia, há um versículo-chave, pelo qual todo o livro pode ser aberto. E por isso nós esperaríamos encontrar o verso-chave no Apocalipse a fim de termos também o esboço desse livro. Onde está esse versículo? O Senhor Jesus pessoalmente comandou João que escrevesse esse livro; então, vejamos como João recebeu essa comissão: “escreve, pois, as coisas que viste, e as coisas que são, e as coisas que serão depois dessas” (1.19). O Senhor deu a direção para João escrever três elementos: primeiro, as coisas “que [João] viste”; segundo, “as coisas que são”; e terceiro, “as coisas que serão depois destas”. E João escreveu de acordo. No momento em que ele estava para escrever, ele já havia tido uma visão; por isso, a primeira coisa  que ele devia escrever era o registro da visão que ele tinha acabado de ver. João continuou então a mencionar “as coisas que são” e concluiu com “as coisas que serão depois dessas”. E, assim, esse único versículo da Escritura faz alusão às coisas do passado, do presente e do futuro.

Três Principais Divisões do Livro de Apocalipse

Tomando isso como uma chave, então, o livro de Apocalipse deve ser dividido em três partes principais. Com vinte e dois capítulos no livro, como são feitas as três divisões? Antes de tocarmos na primeira e segunda divisões, comecemos olhando para a terceira divisão. Há um versículo no capítulo 4 que evidentemente indica que a terceira divisão começa naquele capítulo: “Depois dessas coisas,” disse João, “eu vi, e eis uma porta aberta no céu, e a primeira voz como de trombeta, que eu ouvi falar comigo, disse: sobe aqui, e te mostrarei as coisas que devem ser depois dessas” (4.1). “As coisas que devem ser depois dessas” devem ser coisas depois desses três capítulos. Apocalipse 1.19 indica que a terceira divisão fala das “coisas que devem ser depois dessas”, e as coisas que João viu do capítulo 4 em diante são de fato “as coisas que devem ser depois dessas”. Dessa forma, é evidente que a sua terceira divisão do Apocalipse começa no capítulo 4 ( e desde que o livro tem apenas três divisões, a terceira divisão deve ser do capítulo 4 ao 22). Isso deixa apenas os primeiros três capítulos para a primeira e segunda divisões do livro. Apocalipse capítulo 1 é concernente ao que João viu. O versículo 11 diz “o que vês, escreve-o em um livro”, e no verso 19 João é ordenado que “escreve, pois, as coisas que viste”. Entre esses dois versículos João viu a visão, a qual constitui aquilo que ele viu. A primeira divisão do livro é, por isso, o capítulo 1. Desde que aprendemos que todo o livro pela sua própria indicação deve ser dividido em três divisões principais, e já que também aprendemos que a primeira divisão é o capítulo 1 e que a terceira divisão vai do capítulo 4 até o fim do livro, pode-se racionalmente concluir que a segunda divisão principal do livro deve ser os capítulos 2 e 3. Nesses capítulos nós encontraremos “as coisas que são”, as quais são as coisas concernentes à Igreja.

João viveu na era da Igreja, e por isso a Igreja é reconhecida como “as coisas que são”. Os capítulos 2 e 3 dão a história profética da Igreja do seu começo ao seu fim. Começa com os Efésios abandonando o seu primeiro amor (2.4) e termina com os Laodicences sendo vomitados da boca do Senhor. A historia inteira da Igreja está dessa forma sendo delineada por essas sete igrejas locais. Desde que “as coisas que devem ser depois dessas” seguem “as coisas que viste” e “as coisas que são”, os conteúdos registrados do capítulo 4 em diante devem esperar até que a história da Igreja possa ser cumprida para que sejam cumpridos. Embora hoje o fim esteja de fato se aproximando, nós devemos admitir que a Igreja ainda existe na terra; e que, dessa forma, o seu tempo ainda não está totalmente cumprido.

Esse é o ensino das Escrituras. Apocalipse 1.19 é de fato a chave que destranca o mistério que rodeia esse livro. E, a partir deste verso, nós temos agora obtido uma verdadeira interpretação.

A Mensagem, o Estilo e a Natureza do Livro de Apocalipse

Embora Cristo seja o tema desse livro, também são registradas as coisas do fim dessa era. Todas as coisas que estão para acontecer levam ao tratado do reino de Deus. Por isso, esse é um livro de profecia.

Essa natureza profética é claramente definida tanto no início como no fim do livro (ver 1.3; 22.7,18,19). Através de muitas visões, a mensagem desse livro prediz os eventos que se aproximam.

Os iniciantes podem ficar confusos pelos muitos símbolos nesse livro. Eles podem considerá-los muito alegóricos para serem entendidos. No entanto, realmente não é tão difícil como possamos pensar. Embora haja muitos símbolos, muitos deles já foram explicados no próprio livro. Os leitores deveriam consequentemente confiar no poder de Deus e ler a Sua palavra com diligência e paciência. Se é necessário paciência na busca por conhecimentos mundanos, quanto mais paciência é preciso ter na busca pelas coisas espirituais!(GT) Há pelo menos 14 símbolos que já foram explicados. E os não explicados talvez nem excedam esse número.

(1) Candeeiros simbolizam as igrejas (1.20).

(2) As estrelas são os mensageiros (ou anjos) das igrejas (1.20).

(3) O fogo representa o Espírito Santo (4.5).

(4) Chifres e olhos também representam o Espírito Santo (5.6).

(5) O incenso simboliza as orações dos santos (8.3, 4).

(6) Dragão fala de Satanás (12.9).

(7) Os sapos são os espíritos imundos (16.13).

(8) A Besta tipifica um rei (17.12).

 

(9) As cabeças da besta correspondem a colinas (17.9).

(10) Os chifres da besta correspondem a reis subordinados (17.12).

(11) As águas representam povos (17.15).

(12) A mulher simboliza a grande cidade (17.18).

(13) Linho fino representa a justiça (19.8).

(14) A esposa do Cordeiro é a cidade de Deus (21.9, 10).

Por isso, não tratem esse livro como se fosse de símbolos. Embora haja mais de trinta símbolos, a metade deles já foi explicada. Em média, há menos de um símbolo por capítulo para ser encontrado; e, consequentemente, o livro de Apocalipse verdadeiramente não pode ser rotulado como um livro de símbolos. As profecias em suas páginas são de dois tipos: direta e indireta. As profecias indiretas têm a forma de símbolos; mas, como já mencionamos, esses símbolos não foram colocados em total escuridão, já que metade deles já foi explicada. Dessa forma, os leitores não deveriam ficar intimidados por esses símbolos, mas deveriam distinguir os explicados dos não-explicados, e procurar descobrir os seus significados.

A despeito da adoção dos símbolos como um estilo de escrita, nós não devemos espiritualizar o livro em todo. Nós devemos manter em mente uma coisa importante: o Apocalipse é um livro aberto (ver  22.10), não é como Daniel, que é um livro selado (ver 12.4). É chamado “a Revelação de João” e, por essa razão, todas as coisas registradas nele estão abertas para serem entendidas. É escrito de acordo com fatos, e por isso pode ser tomado literalmente. Assim como os conteúdos futuros registrados no fim do livro são milagres atuais, como ressurreição, arrebatamento, aparecimento, e assim por diante, as coisas dadas na parte inicial do volume devem também ser atuais – nesse caso, punições –desde que esse é um livro de unidade. Nós ouvimos que há 119 profecias no Velho Testamento a respeito do Senhor Jesus. Como estão cumpridas essas profecias? Toas elas estão cumpridas literalmente. Por exemplo, uma virgem dando à luz um filho, Belém, a vinda do Egito, as trinta peças de prata, e assim por diante, foram todas literalmente cumpridas.

Além desses símbolos, o resto do livro contém os dizeres evidentes de Deus. Nós aprendemos que significados espirituais e ensinamentos estão implícitos. Mas essas partes figurativas  devem ser explicadas literalmente. Por exemplo, na abertura do sétimo selo, nós descobrimos que sete anjos estão prontos para soprar as trombetas. No soar das sete trombetas há saraiva e fogo, sangue, montanha, mar, estrelas, lua e sol, e assim por diante. Por um lado, tudo isso deve ser tomado literalmente, embora ainda possamos derivar muitos significados espirituais e ensinamentos disso. Por outro lado, não devemos aceitar meramente os seus significados espirituais e rejeitar o horror das punições literais.  Aqui nós vemos a sabedoria de Deus. Ele esconde significados espirituais na carta para que também aqueles que têm aprendido de Deus possam descobrir o mais profundo ensinamento por trás dela. No entanto, esses crentes comuns também podem aprender diretamente a respeito do verdadeiro fenômeno das futuras tribulações. A palavra de Deus é revelada a bebês (Mat. 11.25). Como pode um bebê entender o livro de Apocalipse se é tão profundo como algumas pessoas dizem? Nós louvamos ao Senhor, por que a despeito de algumas passagens difíceis no Apocalipse, muitas delas são para aplicação literal, e por isso bebês em Cristo podem entender o livro. Nós também louvamos ao Senhor porque, embora o livro de Apocalipse seja tão singelo que os crentes comuns possam conhecer muito a respeito dele, da mesma forma oferece muitos materiais para pesquisa ao melhor dos cérebros humanos. Nosso Deus é de fato Deus!

O caráter do livro de Apocalipse é justo, do início ao fim manifesta a justiça de Deus. Não é fácil encontrar nele a graça de Deus; mesmo com a Igreja, ele revela a estreita disciplina do Senhor. É, de fato, um livro de julgamento. Nele nós vemos como Deus julga a sua Igreja, os Judeus, e as nações. Ele revela o Senhor Jesus e manifesta o seu julgamento

Devido ao seu caráter ser diferente dos outros livros do Novo Testamento, muitas pessoas julgam o Apocalipse muito difícil para entender. No entanto, não é realmente difícil de saber. A Igreja tem falhado, então o Senhor só pode recorrer ao julgamento. O registro dos capítulos 2 e 3 é a sombra do iminente julgamento de Cristo (2 Cor. 5.10). Com exceção dos capítulos 4 e 5 que narram conteúdos de transição, todo o registro do capítulo 6 através do capítulo 19 pertence ao tempo do último sete dos setenta setes de Daniel. Os setenta setes Daniel caem dentro da  dispensação da lei. A dispensação da graça foi inserida entre o sexagésimo nono sete e septuagésimo sete. Assim que a dispensação da graça é concluída, o septuagésimo sete começa, e ainda pertence à dispensação da lei. Por isso todas as coisas mencionadas do capítulo 6 através do capítulo 19 voltam à dispensação da lei. Não é de admirar que o seu caráter seja tão justo.

Devido ao seu caráter justo e legal, o livro carrega nele muito do tempero judaico. Nesse livro a Igreja é apresentada em termos um tanto diferentes do que é descrita nos escritos de Paulo. Embora o livro de Apocalipse seja escrito em grego, como nos escritos de Paulo, o livro emprega muitos Hebraísmos – como Abadom, por exemplo, e assim por diante. Até mesmo os nomes do nosso Senhor têm conotações judaicas, como Jeová Deus. O Evangelho de Mateus cita o Velho Testamento 92 vezes; o livro de Hebreus cita-o por volta de 103 vezes; mas o livro de Apocalipse faz isso cerca de 285 vezes!  Isso prova que o livro de Apocalipse mostra como Deus há de retornar ao território do Velho Testamento, de acordo com o qual tratará com as nações e com os judeus. Não esqueçamos que a salvação vem dos judeus. Por essa razão os santos do Senhor devem aprender a amar os Judeus e a não rejeitá-los. Nós devemos amar os eleitos do Senhor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Época em que o Livro de Apocalipse foi Escrito

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O período em que o Apocalipse foi escrito constitui um sério problema, em parte porque alguns professores Racionalistas têm defendido uma data precoce para essa composição – eles afirmam que provavelmente foi escrito nos tempos do reino do imperador romano Nero. Eles formularam essa peculiar estrutura de tempo com o objetivo de estabelecer a teoria de que as sérias proclamações registradas no livro de Apocalipse foram todas cumpridas após o infame e devastador  incêndio que ocorreu nos tempos de Nero. De acordo com essa teoria, as profecias contidas neste livro na verdade apontam apenas para as perseguições dos Cristãos da Antiguidade e para a destruição de Jerusalém, junto com outros eventos que ocorreram naquele período da história romana. A profecia a respeito da Besta ou do Anticristo tem simplesmente referência à tirania e às maldades perpetradas por César Nero. E, por isso, os conteúdos de todo o livro têm sido completamente cumpridos nos eventos do tempo de Nero. Para os defensores dessa teoria, o livro de Apocalipse é agora apenas um livro de profecias já cumpridas e que, portanto, não têm nenhum valor espiritual para nós Cristãos. É meramente uma parte especial da história romana. Mas, se isso é verdade, então o livro da Apocalipse não se tornará um tanto sem sentido para os Cristãos de hoje? Em vista disso, nós devemos investigar e determinar o exato tempo em que esse livro foi escrito a fim de provar o erro dessa teoria Racionalista.

Eu pessoalmente creio que livro de Apocalipse foi escrito por volta de 95 a 96 DC durante a última metade do reino do Imperador Domiciano, o último dos doze Césares Romanos.

Todos os comentaristas fundamentalistas modernos concordam com essa estrutura de tempo. Deixe-nos citar algumas evidências que dão suporte a esta visão.

A respeito da visão de que o livro de Apocalipse foi escrito pelo apóstolo João durante o governo de Domiciano, há duas fortes evidências – ambas de natureza externa e interna. Primeiro a evidência externa.

Inicialmente, de maneira geral podemos dizer que todos os escritores dos três primeiros séculos, cujos escritos foram encontrados, são explícitos, e concordam em situar o exílio do João e a sua escrita do Apocalipse (Revelação) na última parte do reinado de Domiciano, o último dos doze Césares; e isso, portanto, nos diz que esse livro foi escrito em 95 ou 96 DC.

A primeira e maior das testemunhas é Ireneu. Ele era aluno de Policarpo, que por sua vez foi um dos discípulos de João. Portanto, Ireneu é muito mais provável de ter recebido um verdadeiro relato dos últimos dias do apóstolo João do que qualquer outro escritor cujas obras tenham chegado a nós. Sendo que, quando Ireneu fala da forte probabilidade do nome do Anticristo ser Teutão (Teitan), ele dá este definido testemunho acerca de João e da sua escrita do Apocalipse:

Nós não vamos, entretanto, correr o risco de cometer um erro nesse assunto, de confiantemente afirmar que ele terá esse nome; pois nós sabemos que, se estivesse estabelecido que o seu nome deveria ser proclamado no tempo presente, isso teria sido anunciado por aquele que viu a Revelação. Pois foi vista há não muito tempo, mas quase em nossa geração, no final do reino de domiciano.

 

Tertuliano, um contemporâneo de Ireneu, observou: “Quão feliz é aquela Igreja cujos apóstolos derramaram todos as suas doutrinas com seu sangue! Na qual Pedro resiste a sofrimentos semelhantes aos do Senhor; na qual Paulo tem por coroa a mesma morte que João; e o apóstolo João, após ter sido mergulhado em olho fervendo sem sofrer nenhum mal, foi banido para uma ilha.” Aqui Tertuliano nos informa de dois fatos: primeiro, que João foi banido; e segundo, que o lugar do seu exílio foi para uma ilha. Em outra passagem após mencionar a perseguição por Nero, ele continua: “Domiciano também, o qual era como um Nero em crueldade, ensaiou as mesmas coisas; mas ele, como também era um ser humano, prontamente cessou o seu empreendimento, e restaurou aqueles que haviam sido banidos.”

Tertuliano, dessa maneira, sugere que o exílio era a pena usualmente infligida aos Cristãos por Domiciano; ao passo que, pelos registros, Nero era acostumado a matá-los.

Clemente de Alexandria não menciona Domiciano pelo nome; mas ele provavelmente o insinua quando fala do “tirano” após cuja morte João voltou do exílio.

Eusébio, em três passagens, declara que a expulsão de João ocorreu no reinado de Domiciano. Ele também diz que João escreveu o Apocalipse no décimo quarto ano de reinado de Domiciano, que seria 95 DC.

Vitorinus de Petau, o autor do mais antigo comentário que existe sobre Apocalipse, explica as palavras: “importa que profetizes outra vez a povos, e nações, e línguas e reis.” (Rev. 10.11 mg.), da seguinte maneira:

 

Ele fala dessa maneira porque, quando João viu esta visão, ele estava na ilha de Patmos, havendo sido condenado pelo César Domiciano a trabalhar na mina. Lá, então, ele viu o Apocalipse; e, agora que, avançado em anos, ele começava a pensar   que seria recebido no descanso através de seus sofrimentos. Domiciano morrera, e todas suas sentenças foram canceladas. E assim, João, após ter sido liberto da mina,                entregou essa mesma revelação que recebeu do Senhor.

 

Novamente, ao discutir o oitavo rei mencionado no capítulo dezessete do livro de Apocalipse, Vitorinus nos diz em seu comentário que p sexto era Domiciano, em cujo reinado foi escrito o Apocalipse.

No quarto século, Jerome testifica que quando João escreveu o Apocalipse ele estava na ilha de Patmos durante o décimo quarto ano de César Domiciano (95 DC) – sendo ele o segundo dos césares que perseguiram os Cristãos, sendo Nero o primeiro.

Durante os primeiros três séculos e meio, no entanto, nenhum escritor parece sugerir outra data.

Mas, na última metade do século quatro, essa harmonia foi quebrada por Epifânius de Salamis; cujo testemunho, no entanto, é absolutamente inválido contra os que foram citados, sem contar que é totalmente inverossímil em si mesmo. Ora, Epifânius foi um dos mais descuidados e inacurados escritores da antiguidade. Sua notável declaração é esta: que João retornou do exílio – aos noventa anos de idade – durante o reinado de Cláudio. Agora, Cláudio foi assassinado em 54 DC; no entanto, se João estivesse com noventa anos naquele tempo, ele deveria ter trinta e três anos a mais que o Senhor, e ele também deveria estar com sessenta e três anos quando foi chamado para ser um dos apóstolos do Senhor! É claro, então que a data de Cláudio pode ser sumariamente dispensada.

Então, o balanço das evidências externas está sobremaneira a favor da Data Domiciana. Há muitas outras testemunhas que nós não mencionamos, que poderiam dar suporte ainda maior a essa visão.

Assim como as evidências externas são abundantes, também as internas são igualmente fortes na mesma direção. Quando falamos em evidência interna, nos referimos às evidências no texto, que provam que o Apocalipse foi escrito no tempo de Domiciano. Eis as evidências:

(1) O estado em que se encontravam as igrejas da Ásia, como descrito nas sete cartas de Apocalipse capítulos 2 e 3, requereria um desenvolvimento de vinte ou trinta anos além da condição que estava nos tempos de Paulo, e não dos meros cinco ou seis que seriam permitidos pela data Nerônica.

(2) Pelo menos um mártir já havia sido feito em Pérgamo; e João, escrevendo às sete igrejas da Ásia, fala dele mesmo como tendo se tornado seu companheiro na tribulação pelo seu exílio em Patmos pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo. Entretanto, os crentes em Esmirna estavam para experimentar uma provação da sua fé, até mesmo de morte. É evidente que uma perseguição estava acontecendo na Ásia Menor naquele tempo. E essa deve ter sido a perseguição de Domiciano, desde que a de Nero não parece ter se estendido muito além das vizinhanças imediatas de Roma; e nem parece ter a perseguição nerônica resultado em exílio, mas simplesmente em punição capital.

(3) Os Balaãmitas (ver Apoc. 2.14) haviam encontrado tempo de se estabelecer em pérgamo.

(4) A Jezabel não havia apenas subido a um lugar de influência em Tiatira, mas também já havia sido dado a ela tempo de se arrepender (de acordo com Apoc. 2.20, 21).

A Data Domiciana de 95 a 96 DC para a escrita do Apocalipse é, portanto, suportada tanto por evidências internas quanto por externas.

Devido ao fato que o livro de Apocalipse descreve a si mesmo como sendo definitivamente um livro de profecias (ver 1.3; 22.7, 18, 19), certos mestres Racionalistas têm atentado em determinar a data da escrita aos tempos de Nero, podendo dessa maneira aplicar mais estreitamente todas as profecias do livro ao Império Romano de Nero e aos Cristãos daquele tempo. Mas nós hoje claramente sabemos que essa profecia tem de ter sido escrita muito depois dos tempos de Nero. E para o nosso presente dia essa porção de conclusão da palavra de Deus ainda permanece como um escrito profético a respeito de eventos futuros. Não é nem história alegórica nem profecia já cumprida.

Tendo demonstrado que esse livro foi escrito nos tempos de Domiciano, o esquema desses professores Racionalistas para excluir esse apavorante livro – o qual serve como uma das mais agudas das espadas do Espírito de Deus – foi derrotado.

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