Quem Deus Ama?
Agora, é perfeitamente óbvio que ambos os pontos de vista acima não podem ser
verdade. Até mesmo uma criança pode entender isso. Ou é um ou é outro. Ou Deus
ama todos os homens, ou Ele ama apenas Seus eleitos. Também é perfeitamente
óbvio que ambos que mantêm os pontos de vista acima, reivindicam pregar o
Evangelho quando proclamam esses pontos de vista. Tanto o pregador arminiano
quanto o reformado irá dizer que está pregando o Evangelho. Isto é de se esperar.
Nenhum pregador vai vir a público e dizer que o que ele está pregando não está de
acordo com a Bíblia. Ambos afirmam: “A Bíblia diz…” Além disso, é também
evidente, a menos que você mantenha a posição impossível que
Deus Se contradiz
que
um ou outro ponto de vista (não ambos) acima está de acordo com a Escritura,
e que constitui a verdadeira pregação do Evangelho. E quem proclama o que não
está de acordo com a Escritura não tem o direito de fingir que está pregando o
Evangelho de Jesus Cristo.
Portanto, qual é o teste? Como podemos determinar qual deles é a Palavra de Cristo
segundo a Escritura? Lembrese,
a questão não é o que você ou eu gostaria de
pensar sobre o assunto. Não é qual destes dois “Evangelhos” é o mais popular, que
aparentemente traz os maiores frutos, que é supostamente o mais quente, o mais
atraente, o mais vivo. A questão não é o que este ou aquele teólogo afirma. E,
embora você ame grandemente sua igreja, não é uma questão do que a sua igreja
ensina. Na verdade, se você ama sua igreja, você certamente não quer que ela
caminhe no erro. A pergunta fundamental é: o que a Palavra de Deus diz?
Que todo cristão fervoroso de espírito, que quer andar em obediência à
vontade de Cristo, e que deseja que a igreja seja fiel à seu chamado de
pregar o Evangelho, se submeta a Palavra!
Você não tem de se submeter a mim e a minha palavra; mas você tem de se
submeter comigo a Palavra de Deus! E você pode esperar que a Palavra de Deus
seja muito clara sobre este assunto.
Em terceiro lugar, esta pergunta, “Quem Deus ama?”, é de grande importância
porque, se houve algum tempo em que a comunidade reformada ficou em uma
encruzilhada no que diz respeito à pregação do Evangelho, esse tempo é hoje. Com
cada vez mais ousadia e desconsideração, círculos reformados de hoje ensinam que
Deus ama todos os homens. E é até mesmo sustentado que esta doutrina, contra a
qual nossos pais reformados lutaram tão corajosamente no Grande Sínodo de
Dordrecht, é o calvinismo. Mais e mais igrejas reformadas se unem aos arminianos
para apoiar movimentos descontroladamente evangelísticos. Como exemplo deste
arminianismo flagrante, deixeme
citar os escritos de um professor de seminário
reformado sobre este mesmo texto de João 3:16:
“Quanto Deus amou? Tanto que deu o Seu Filho unigênito. Tanto que Ele
Se esvaziou; Ele deu a Si mesmo. A quantidade do amor é indicada pelo
valor do presente. Que significa nada menos do que um amor infinito.
Amor sem limites! Pode um amor ilimitado ser limitado em seu alcance?
Pode um amor irrestrito ser restringido àqueles a quem ama? Pode o amor
infinito da encarnação ter como objeto apenas uma parte da humanidade?
Dificilmente. Nem a Bíblia ensina isso. Ao contrário, é dito: ‘Deus amou o
mundo de tal maneia que deu’. Se tomado como o cosmos, ou como a
raça humana, ‘mundo’ nesta passagem, abrange claramente todos os
homens. Por nenhum esforço de exegese pode o amor redentor de Deus
limitarse
a qualquer grupo em especial. Nem a linguagem deste
versículo, nem o contexto mais amplo da Escritura permite outra
interpretação, senão que Deus ama todos os homens.”
E, novamente, note essa declaração bem ousada:
“Se a Igreja não quer dizer de forma alguma que Cristo morreu por todos
os homens e se recusa a dizêlo
aos incrédulos, em adição a ‘Deus te
ama’, ‘Cristo morreu por você’, ela coloca o amor infinito de Deus sob uma
restrição ilegítima.”
Agora, se essa é a direção em que os homens reformados querem ir, então, que eles
abertamente retratemse
da posição reformada e das confissões reformadas como
sendo antibíblicas. Mas que ninguém se engane que tal arminianismo tem algo em
comum com a fé reformada. Ele não tem. E que todos que amam a verdade da
Palavra de Deus e que desejam ser fiéis à Palavra, examinem este assunto comigo.
Coloquemos essa questão à prova da Sagrada Escritura.
Quem Deus ama?
O Amor de Deus de Acordo Com a Escritura
Nosso texto em João 3:16 responde: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira…”
Em primeiro lugar, vamos ver a questão do ponto de vista do termo “mundo” na
Escritura. Será que esse termo realmente significa todos os homens? Isto é
frequentemente ensinado. E eu vou admitir que isso é uma suposição muito fácil de
se fazer. Há, sem dúvida, muitos que de forma bem acrítica aceitam essa afirmação,
e acreditam que João 3:16 significa que Deus amou todos os homens.
Mas vamos submeter este ponto de vista a alguns testes bíblicos simples.
Primeiramente vamos examinar algumas outras passagens da Escritura que fazem
uso do mesmo termo.
Na oração sacerdotal do Senhor Jesus, preservada a nós nessa mesma narrativa do
Evangelho de João, lemos:
“Pois eu lhes transmiti as palavras que me deste, e eles as aceitaram.
Eles reconheceram de fato que vim de ti e creram que me enviaste. Eu
rogo por eles. Não estou rogando pelo mundo, mas por aqueles que me
deste, pois são teus.” Jo
17:89.
A partir desta passagem, em comparação com João 3:16, é evidente primeiramente
que o termo “mundo” em João 17 não é o mesmo que em João 3. Isto é evidente a
partir do ponto simples que Jesus não ora por este “mundo”. E, certamente, seria
uma blasfêmia supor que o nosso Senhor Jesus Cristo não roga pelo mundo que
Deus amou. Em segundo lugar, é evidente que o termo “mundo” em João 17 não
pode significar “todos os homens”. Isso é claro a partir do fato de que o Senhor
Jesus faz uma distinção muito clara entre os seus discípulos que
criam que o Pai O
havia enviado, que foram dados a Jesus, e que são do Pai e
o mundo. Note: “Eu
rogo por eles. Não estou rogando pelo mundo, mas por aqueles que me deste, pois
são teus”. Em terceiro lugar, é também evidente que em João 17 aqueles a quem
Deus amou não são do mundo, mas aqueles a quem Deus deu a Cristo em distinção
àquele mundo.
Abram em 1 João 2:1517.
Aí lemos:
“Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o
amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo a cobiça da
carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens não provém do Pai,
mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a
vontade de Deus permanece para sempre.”
Aqui, novamente, é evidente que o termo “mundo” não pode significar todos os
homens, e que não tem e não pode ter a mesma conotação de João 3:16. Pois,
primeiramente, seria possível que Deus amasse o mundo, e que Ele ordenasse a
Seu povo: “Não ameis o mundo, isto é, o mesmo mundo que Eu amo?” E, em
segundo, o mundo do qual 1 João 2 fala se acaba. Agora, seria possível que o
mundo, o qual é o objeto do amor divino, pudesse se acabar? Fazer essas perguntas
é respondêlas.
Estas são apenas duas das muitas passagens na Bíblia em que o termo “mundo”
aparece. Mas onde quer que esse termo apareça na Escritura, e tudo o mais que o
termo “mundo” possa significar, você pode submeter todas as passagens ao teste, e
você descobrirá que esta palavra nunca significa simplesmente todos os homens.
Por meio de nenhum esforço exegético esta suposição defeituosa pode ser
sustentada.
Em terceiro lugar, não nos esqueçamos que a mesma Escritura que fala do amor de
Deus também fala do oposto ao Seu amor, seu divino ódio. Agora, se é verdade que
Deus ama todos os homens, então também deve ser verdade que Ele não odeia
ninguém. Mas, se a Escritura não pode ser invalidada, e se então pode ser mostrado
por meio dessa mesma Escritura que Deus odeia nem que seja um só homem, então
seguese
também que Deus não ama todos os homens, e que o termo “mundo” de
João 3:16 não pode significar todos os homens.
Examinemos a Escritura, com vista nesta pergunta.
No Salmo 5:45,
lemos:
“Tu não és um Deus que tenha prazer na injustiça; contigo o mal não pode
habitar. Os arrogantes não são aceitos na tua presença; odeias todos os
que praticam o mal.”
No Salmo 11:56,
lemos:
“O Senhor prova o justo, mas o ímpio e a quem ama a injustiça, a sua
alma odeia. Sobre os ímpios ele fará chover brasas ardentes e enxofre
incandescente; vento ressecante é o que terão.”
E em Romanos 9, um capítulo que é muito importante para toda essa questão, lemos
nos versículos 1013:
“E esse não foi o único caso; também os filhos de Rebeca tiveram um
mesmo pai, nosso pai Isaque. Todavia, antes que os gêmeos nascessem
ou fizessem qualquer coisa boa ou má a fim de que o propósito de Deus
conforme a eleição permanecesse, não por obras, mas por aquele que
chama foi dito a ela: O mais velho servirá ao mais novo. Como está
escrito: Amei Jacó, mas odiei Esaú.”
É perfeitamente evidente em todas estas passagens, que o ódio de Deus existe, bem
como o amor de Deus, e que alguns homens são objetos do ódio divino, enquanto
outros são objetos do amor divino.
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