A atividade demoníaca sempre bate em retirada onde há um exercício ativo da autoridade pelo crente. No entanto, em muitas das denominações cristãs, a inerrância da Palavra de Deus está sendo colocada em dúvida pelos principais líderes da igreja. Restam poucas instituições teológicas em que a Bíblia Sagrada ainda é reconhecida como a autêntica Palavra de Deus. Da mesma maneira, o Espírito de Deus está sendo desonrado pela falta de consideração à sua pessoa e à sua autoridade. Assim, há um retorno às condições espirituais dos incrédulos, e os poderes demoníacos estão novamente pressionando nosso país e nossa população.
Vamos lembrar freqüentemente que estamos assentados bem acima de todas as potestades do ar, e que elas estão em sujeição a nós. À medida que nossa fé aprende a usar o nome e a autoridade de Jesus Cristo, veremos as forças espirituais obedecendo de formas que nos surpreenderão. À medida que permanecemos em Cristo, nossas orações serão cada vez menos para fazer petições, e cada vez mais manifestarão o exercício de autoridade para repreender as forças das trevas nas nossas vidas e em nossas famílias.
Embora a crença assim nos introduza ao nosso lugar de poder do trono, somente a humildade garantirá que o reteremos. À medida que comparamos a graça abundante de Deus e nossa própria profunda indignidade, surge a questão, precisamos dessa advertência? Se pensamos que não há perigo algum, sabemos pouco da praga dos nossos próprios corações. As forças contra as quais lutamos nos conhecem bem melhor do que conhecemos a nós mesmos. Quando as atacamos, com pouco ou nenhum poder em uma guerra prolongada, o golpe de retorno dessas forças geralmente é rápido e esmagador. Com a estratégia desenvolvida em uma longa experiência em batalhas espirituais, elas sabem que o ataque é o melhor modo de defesa. Uma das suas armas testadas é o orgulho espiritual, e freqüentemente, demonstra ser eficaz.
A vitória sobre as potestades do ar, de Satanás para baixo, é uma possibilidade demonstrada. No entanto, sua obtenção é por meio do emprego da ajuda de Deus somente. Desde o Éden, o homem busca mostrar-se auto-suficiente. O desejo de ser independente é algo que até mesmo o coração regenerado do crente não supera totalmente. Freqüentemente, logo após algum sinal de vitória ser obtido, vem um sutil sussuro do inimigo, e o crente é rapidamente pelado de suas forças, achando que está forte.
Com humildade, pode haver audácia no Nome. A verdadeira audácia é fé em plena manifestação. Quando Deus fala, permanecer parado não é humildade, é descrença. No exercício da autoridade divina, é necessário coragem e não temer nada, somente a Deus, e estender as mãos para repreender tudo o que for armado contra o crente e sua família. No entanto, com essa coragem, precisa haver um comunhão íntima e contínua com Deus, um espírito que esteja alerta à sua vontade e uma mente firmada na Palavra de Deus.
Se o crente definitivamente aceitar seu assento e começar a exercer a autoridade espiritual que isso lhe confere, rapidamente perceberá que é um homem marcado. Embora antes ele cresse na presença e na operação dos poderes das trevas, vem agora uma nova consciência da existência e da iminência delas. Amargamente, elas se sentem incomodadas e resistem à entrada do crente em seus domínios e interferindo em suas operações. De forma implacável e maligna, concentram seu ódio contra ele em uma guerra intensa que pode não ter descanso. Se os ataques contra o espírito do crente forem resistidos com sucesso, os assaltos podem vir na mente, no corpo, na família, ou nas circunstâncias.
O lugar de privilégio especial torna-se, portanto, um lugar de especial perigo. Todavia, como o próprio Deus, com um propósito eterno em vista, introduziu seu povo nessa esfera, não podemos duvidar que tenha tomado providências para nossa proteção. O único lugar de segurança é a ocupação do próprio assento. Esse assento está “bem acima” do inimigo. Se o crente permanecer em Cristo, ficando firme pela fé em sua posição, não poderá ser tocado pelo inimigo. Conseqüentemente, o inimigo usa todas as suas artimanhas para fazê-lo cair, pois uma vez que ele esteja fora do seu assento, não é mais perigoso, e está vulnerável ao ataque.
O crente encontra uma torrente constante de acusações em seu coração. Essas acusações o conturbarão até que ele descubra que o propósito do inimigo é lança-lo contra si mesmo, e, criando um sentimento de inutilidade, fazê-lo descer do lugar da perfeita fé. Ele aprende a “vencê-lo pelo sangue do Cordeiro”, isto é, apresenta o sangue como sua única resposta a essas acusaões. No entanto, aprende um uso adicional para essa provisão divina. O sangue representa não somente a limpeza da culpa e do poder do pecado, mas também é o testemunho da total vitória do Calvário. Uma vez que isso tenha sido entendido, o crente vê que não tem de lutar contra o inimigo, mas simplesmente manter sobre ele um triunfo já obtido, os benefícios do qual ele compartilha em sua plenitude.
A total compreensão não vem toda de uma vez, mas, à medida que ele mantém sua posição e exerce a autoridade, haverá um aperfeiçoamento gradual na guerra nos lugares celestiais.
A Conduta do Cristão
Em muitas passagens no Novo Testamento o crente é instruído a não pecar. A implicação é que o pecado terá um efeito negativo em sua vida. As Escrituras deixam claro que o crente não está debaixo da Lei no que concerne à salvação. Entretanto, o critério moral apresentado pelo Novo Testamento é basicamente o mesmo que a Lei. Os critérios morais de Deus não mudaram; somente os requisitos de Deus para a nossa salvação.
O reino espiritual está à nossa volta, mas não somos capazes de acessá-lo. Nossos cinco sentidos não propiciam nenhum contato com o reino espiritual. Somos totalmente dependentes do Senhor para todo o nosso conhecimento nessa área. O reino espiritual já existia antes de o reino natural ser criado e é mais real que o reino físico em que vivemos.
Para compreender o significado do pecado, precisamos observar seus efeitos no reino espiritual. Lidamos com as coisas espirituals com base nas informações que o Senhor nos dá. Além das palavras que o Espírito Santo nos dá diretamente a nós, a única outra fonte autorizada são as Escrituras. Todas as informações que são fornecidas pelo Espírito Santo estarão de acordo com as Escrituras, e todas as informações recebidas “espiritualmente” precisam ser julgadas de acordo com as Escrituras antes de serem aceitas. O crente tem uma posição, fornecida por Deus, no reino de Deus. Essa é uma posição “legal” que é uma posição de perfeita justiça por meio de Cristo, e garante a salvação. Isso não é o mesmo que a condição do crente no reino natural. As Escrituras indicam claramente que existem fatores no reino natural que afetam nossa condição.
Nossa condição é afetada pela nossa conduta. É também afetada por nossa capacidade de nos apropriarmos da aliança e da promessa de Deus de nos ajudar. Deus oferece nossa posição e o homem controla seu estado; não, entretanto, por sua própria força, mas com o Espírito Santo. Essa posição espiritual e nossa condição presente estão envolvidas é expressas em muitas passagens nas Escrituras:
“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. … 4) Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito… 10) E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espirito vive por causa da justiça.” [Romanos 8:1,4,10]
“Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque?… E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.” [Tiago 2:21-23]
“Filhinhos, ninguém vos engane. Quem pratica a justiça é justo, assim como ele é justo.” [1 João 3:7]
Nesses versos, bem como em muitos outros, há uma clara indicação que existe uma posição espiritual e uma condição natural envolvidas. Tentar igualar as duas torna o conteúdo desses versos contraditórios. Se nossa posição espiritual garante nossa salvação, qual então é o significado da nossa condição no reino natural? Em Romanos 8:1 há uma clara indicação que seguir as inclinações da carne traz condenação. No entanto, é claro nas Escrituras que, por meio de Cristo, o crente tem uma posição de justiça no reino de Deus. Assim, as conseqüências para o crente seguir a carne precisam referir-se à carne e não à salvação.
Se a condenação não for contra nossa posição espiritual, precisa então estar relacionada com a nossa condição. Isto é, a condenação pode ser contra nós no mundo natural, embora não se refira à nossa posição com Deus. Se não se relaciona com nossa posição diante de Deus, então segue-se que é Satanás quem traz condenação contra nós no mundo natural.
A maldição da lei, no Antigo Testamento, dava a Satanás acesso contra aquele que pecava.
Romanos 8:4 diz claramente que a lei funciona de acordo com a conduta. Assim, podemos ainda trazer a maldição da lei sobre nós por meio do pecado, e embora a lei não se aplique mais para a salvação, o critério moral expresso nela ainda tem efeito na nossa condição no reino natural.
Romanos 8:10 indica que o corpo pode estar “morto” ao mesmo tempo em que o espírito está vivo, se houver pecado na vida da pessoa. Nesse contexto, a morte significa separação, não aniquilação. Assim, o verso implica que o pecado separa o corpo da associação de Deus embora ele esteja presente, como o Espírito Santo, dando vida ao espírito humano. Sob essa condição, o corpo não teria a proteção de Deus e estaria vulnerável ao ataque satânico. A vida do espírito “por causa da justiça” é obviamente a justiça de Cristo atribuída a nós, e não por nossos próprios méritos. Novamente, vemos aqui que o pecado abre a porta para a aflição demoníaca na mente e no corpo.
Em Tiago 2:21-23, vemos a referência a uma justificação que aplica-se à condição de Abraão e uma justiça que refere-se à sua posição. Finalmente, 1 João 3:7 apresenta uma justiça que é atribuída ao desempenho bem como alocação. Como nossa posição nos céus baseia-se totalmente nos méritos de Cristo, segue-se que esse verso refere-se à nossa condição bem como à nossa posição.
As leis morais do Antigo Testamento ainda são normativas para a conduta. Logicamente, algumas mudanças sociais afetaram a aplicação de almas leis, como por exemplo a morte por apedrejamento. No Novo Testamento, fica claro que as restrições alimentares e as leis governamentais não estão mais em vigor; a única restrição alimentar que o Novo Testamento prescreve é contra comer carne com sangue. Deus não estabelece a Lei para seu próprio benefício, mas para o benefício do homem. Enquanto os judeus obedeceram a Lei, estiveram sob a proteção de Deus. Quando desobedeceram a Lei, Satanás obteve acesso e pôde atacá-los. Quando o homem peca, dá a Satanás autoridade sobre sua vida.
“Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado.” [Romanos 6:6]
Da mesma foram como a Lei protegia os israelitas do ataque satânico, assim também a obediência ao critério moral de Deus protege o crente dos ataques demoníacos.
Quando Adão escolheu seguir a Satanás, rebelando-se contra Deus, entregou a Satanás a autoridade que lhe tinha sido entregue por Deus. Tendo dado sua autoridade a Satanás, Adão não teve como reinvindicá-la de volta. Assim também ocorre hoje, quando o homem entrega a autoridade em sua vida a Satanás, não tem a capacidade de recuperá-la. Felizmente, o crente tem acesso a um poder maior, por meio de Jesus Cristo, pelo qual pode superar a posição que Satanás ganhou. O chefe do lar tem a capacidade por meio da delegação de autoridade do Senhor, de restaurar para si e para sua família tudo o que Satanás tirou dele. É instrutivo olhar para as diretrizes para a seleção dos presbíteros e diáconos, conforme prescritas nas Escrituras, para obter uma compreensão dos critérios de conduta para o chefe da família.
“Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?)” [1 Timóteo 3:2-5]
Embora esses sejam critérios para a liderança na igreja, um padrão similar aplica-se ao chefe do lar. O chefe da família, homem ou mulher, mantém uma forte posição cristã por meio do tempo dedicado para a leitura e meditação na Palavra. Todas essas virtudes mencionadas acima contribuem para uma posição positiva de autoridade.
Deus colocou o chefe da família em uma posição crucial. Ele (ou ela) pode escolher abençoar sua família, ou pode bloquear Deus de chegar a ela, porque a bênção de um pai dirige o fluxo das dádivas de Deus. Quando os pais oram e seguem os princípios de Deus de autoridade e de santidade, o espírito e a alma das crianças serão nutridos… Afinal, santidade não é religiosidade ou legalismo. É a vida de amor sacrifical vivida diariamente na família. É amor profundo, expresso pessoalmente no lar. É obediência à Palavra de Deus.
Atualmente, existem muitas famílias em que não existe a figura paterna. Nesses casos, a mãe precisa buscar no Senhor a cobertura de autoridade. O Senhor é então um marido para a mulher e um pai para seus filhos. Debaixo dessa cobertura, a mulher assume então total poder de autoridade sobre seus filhos. É importante nessa circunstância, que todo o poder de autoridade negativa do pai seja quebrada no nome de Jesus.
Como a tarefa de prover a cobertura de autoridade é mais difícil para a mãe solteira do que quando o pai e a mãe estão presentes, seria apropriado para uma mãe reivindicar as bênçãos do Senhor para si mesma e para seus filhos quando não houver um pai para fazer isso.
Autoridade Negativa
Até agora, vimos o lado positivo da autoridade. O aspecto negativo aparece quando a cabeça não exerce a função de autoridade, ou pior, quando está em uma posição de iniqüidade. A lei da autoridade de Deus oferece proteção e bênção aos símplices. Uma perversão da autoridade pode oferecer ao inimigo um modo de atacar aqueles que estão submetidos a uma cobertura incrédula. As congregações ficam sujeitas aos espíritos religiosos que ensinam heresias por meio de um pastor. As crianças ficam abertas aos ataques de forças que controlam seus pais incrédulos, e as mulheres ficam vulneráveis para as forças que estão trabalhando por meio de seus maridos. Aquele que está na posição de autoridade e envolve-se em imoralidade não pode oferecer a cobertura espiritual, que é uma parte necessária da autoridade. Não somente todas essas atividades precisam parar, mas todas as conexões com o passado precisam ser rompidas, abandonadas e confessadas.
O pecado é mais do que um ato; é um estilo de vida da descrença que resulta na obediência à Palavra de Deus – uma exaltação de si mesmo acima de Deus. Deus não força ninguém a agir de forma correta. Quer que nos voltemos para ele com disposição no coração e pela fé, e em arrependimento. Fé em Deus é mais do que conhecimento; é uma atitude de confiança, cedendo à autoridade de Deus.
“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoardor dos que o buscam.” [Hebreus 11:6]
Quando uma pessoa estabelece um padrão de respostas pecaminosas, permite que Satanás crie fortalezas em sua vida. Embora o Senhor Jesus tenha vencido o inimigo por meio da sua morte na cruz, o inimigo fixa-se em qualquer terreno que tenha tomado antes da conversão de um indivíduo. Isso aplica-se a todos os membros da família; pai, mãe, filho ou filha. Somente por meio do nome de Jesus Cristo e da conduta cristã santa é que o inimigo pode ser desalojado e expulso.
Enfrentamos tribulações e circunstâncias difíceis somente porque Deus permite que venham sobre nós. Qualquer outra teologia diz que Deus não está no controle e que Satanás é maior; ele não é. Deus é maior e mais poderoso. Somente aquilo que passa pela mão de Deus, que ele permite, tocará nossas vidas. Deus estabeleceu um critério moral que, se seguido, restringe o acesso de Satanás ao homem. Transgredir esse critério moral abre a porta para a aflição demoníaca. Para tornar uma proteção eficiente em sua família, o chefe precisa obedecer a Deus e seguir seus passos. O profeta Jeremias descreve o que aconteceu com Israel quando o povo quebrou a aliança e perdeu a proteção. Falando pelo povo, ele diz:
“O jugo das minhas transgressões está atado pela sua mão; elas estão entretecidas, subiram sobre o meu pescoço; e ele abateu a minha força; entregou-me o Senhor nas mãos daqueles a quem não posso resistir.” [Lamentações 1:14]
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